
São nove horas da noite e sua mamãe ainda está trabalhando. Exausta até os ossos.
Crescer, filho, às vezes dói. Pode até ser legal de vez em quando, mas, na maioria das vezes, não é um episódio legal.
Por isso eu prefiro ser criança com você, mesmo tendo meus vinte e poucos anos. E adoro a cara e as expressões de reprovação da sua avó, me xingando porque depois de muito resistir aos seus encantos, abri a porta do box às sete e pouco da manhã e te chamei para tomar banho comigo.
Adoro disputar o pote de pipocas, brincar de esconde-esconde em qualquer lugar (mesmo que tenha um monte de gente vendo), fazer furinho no pote de iogurte e sentar do teu lado para tomar. Amo rolar com você na grama, tentar te ensinar a ler e a escrever, tirar fotografias suas e sair correndo porque você quer a máquina...
Se não fosse por você, eu seria apenas uma jornalista infeliz 24 horas por dia.
Por você, e só por você, nesses meses de exaustão física e mental, eu consegui ser uma pessoa feliz, mesmo em horário comercial.