28 de novembro de 2008

Dia de Viagem

As malas estão prontas, com roupas para todas as ocasiões. Na verdade, três ocasiões: cama, passeio e saída à noite e, para ser sincera, exagerei ao dizer que são malas. É só uma mochila, a que seu tio usa para levar para escola e eu tomei emprestada. A mamadeira e o nenê (cobertor que você gosta e se acha um nenê enrolado nele) estão preparados e a sua mãe, ansiosa.

Saudade é um sentimento que machuca muito, filho. E esse foi um ano de muitas ausências na minha vida. É claro que tua presença as minimizou, mas ainda assim elas doem. Dói não ver teu Tio Bonitão (ele, que se deu esse apelido) fazendo piada de tudo, sua dinda Fabi preocupada com este ou aquele texto, a tia Paty cheia de complexos, a tia Mari pensando em gelatina com creme, o teu dindo Jão sempre me mostrando mundos novos. Dói não participar de uma lista de programas inusitados com a tia Camis (aquela que te manda pum de sovaco)... Essas ausências doem demais, filho. Muito, muito.

Quem sabe você vai olhar para eles sem perceber quem são, e pensar que não os conhece. Vai ficar emburrado, com medo do desconhecido. Mas eles não são desconhecidos. São parte de sua família, assim como são família da sua mãe.

Hoje somos mãe, dinda, dindos, tios e tias. Antes éramos só amigos.

19 de novembro de 2008

Pitanga, jabuticaba, gabiroba...

Foi comigo que você aprendeu a amar frutas e descobriu, recentemente, as silvestres.
Correndo pelo mato, você pede petanga, seqüestra todos os frutos da palma da minha mão e tenta, na ponta dos pés, alcançar o galho para tirá-las você mesmo.

As jabuticabas, agora extintas, você colocava inteiras na boca em uma proporção de uma para cinco – as outras quatro viravam bolas, jogadas aos quatro cantos.

Gabiroba eu te apresentei ontem, na forma da primeira fruta da safra, precoce. Pequena, dividida, preencheu nós dois com a divisão e confirmou em mim a certeza de que tenho um parceiro para minhas investidas mata adentro.