Com as mãos tremendo e o rosto inchado de tanto chorar, eu sentei na minha cama, na frente dela e disse que estava grávida.
No mesmo momento ela começou a chorar, me deu um abraço daqueles de alma, filho. Bem do jeito que só ela consegue. Chorando ela disse que estava muito feliz por mim e, imediatamente, fez o primeiro contato contigo, ainda minúsculo na minha barriga, dizendo que mesmo sendo tão recente na vida dela, já nutria um amor imenso por você. E foi nesse momento que ela se escolheu para ser a sua dindinha.
Nós duas sabíamos que uma criança no último ano de faculdade não iria ser fácil, mas só sua Dinda sabia o quanto eu seria feliz com sua presença na minha vida e fez questão de impregnar minha alma de planos para o nosso bebê. Planos que iam desde o nome até a profissão, passando por comidas favoritas, roupas e brinquedos, além do gosto musical (e isso incluía tampar seus ouvidos ainda na minha barriga quando tocava sertanejo ou, então, simular uma música clássica no gogó mesmo).
E ela acompanhou seu crescimento dentro de mim sentindo como se você estivesse dentro dela, cuidando dos detalhes que eu não tinha vocação para cuidar.
No dia que você nasceu, foi ela que entrou no quarto minutos depois, devagarzinho, meio com medo de ver o bebê que ela ansiava tanto por conhecer. E foi ela que me ajudou de toda forma que precisei, exatamente como ela prometeu quando eu contei da sua existência, sem nunca cobrar nada ou pedir algo em troca.
É preciso que você saiba, filho, que mesmo sem todos esses motivos que ela deu durante esses quatro anos que nos conhecemos, eu já a amaria. Porque sua dinda é, sem sombra de dúvida, a pessoa mais maravilhosa que eu conheço, a amiga mais verdadeira e a sua madrinha mais arteira. Acho que sobre isso eu não preciso falar para você...
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