29 de outubro de 2008

Gooooooooooooooooooool!!

Acordei mais ou menos de madrugada, na tentativa de terminar algumas matérias. Fiel, você também acorda mais ou menos de madrugada e pede colo, na frente do computador.
Escrevemos juntos o abre de agricultura desta semana, brigando um pouco, um se achando mais dono do computador que o outro. Saio correndo para um banho e você detona meu texto, pega o mouse e bagunça tudo. Eu só digo “aiaiai”, até mesmo porque fui precavida o suficiente para salvar o texto. Recolho pen drive, câmera, telefone, procuro desesperadamente o crachá e seu rosto para um beijo. Enquanto me atrapalho, você me diz “tauu”, encosta na cama e começa a narrar jogo.
“Padá-passô-tálá-padá... Gooooooooooll (levanta as mãos, em comemoração) Axiiiil (Brasil)”.

Em um mês, no máximo, acredito que esse Brasil vira Flamengo.
E vou tentar achar isso tão bonitinho quanto achei hoje.

27 de outubro de 2008

Macotonho

Você tem dois olhos que, de manhã, me dizem tudo o que não falamos durante a noite.

Tem também um cabelo amarelo, meio branco, que parece um ninho de passarinho.

Tem um sorriso malandro que põe cor nas manhãs mais cinzas e um beijo doce daqueles de moleques safados que conseguem tudo. Ah! Isso você sabe fazer, com maestria.

10 de outubro de 2008

Dindinha

Com as mãos tremendo e o rosto inchado de tanto chorar, eu sentei na minha cama, na frente dela e disse que estava grávida.
No mesmo momento ela começou a chorar, me deu um abraço daqueles de alma, filho. Bem do jeito que só ela consegue. Chorando ela disse que estava muito feliz por mim e, imediatamente, fez o primeiro contato contigo, ainda minúsculo na minha barriga, dizendo que mesmo sendo tão recente na vida dela, já nutria um amor imenso por você. E foi nesse momento que ela se escolheu para ser a sua dindinha.

Nós duas sabíamos que uma criança no último ano de faculdade não iria ser fácil, mas só sua Dinda sabia o quanto eu seria feliz com sua presença na minha vida e fez questão de impregnar minha alma de planos para o nosso bebê. Planos que iam desde o nome até a profissão, passando por comidas favoritas, roupas e brinquedos, além do gosto musical (e isso incluía tampar seus ouvidos ainda na minha barriga quando tocava sertanejo ou, então, simular uma música clássica no gogó mesmo).

E ela acompanhou seu crescimento dentro de mim sentindo como se você estivesse dentro dela, cuidando dos detalhes que eu não tinha vocação para cuidar.

No dia que você nasceu, foi ela que entrou no quarto minutos depois, devagarzinho, meio com medo de ver o bebê que ela ansiava tanto por conhecer. E foi ela que me ajudou de toda forma que precisei, exatamente como ela prometeu quando eu contei da sua existência, sem nunca cobrar nada ou pedir algo em troca.

É preciso que você saiba, filho, que mesmo sem todos esses motivos que ela deu durante esses quatro anos que nos conhecemos, eu já a amaria. Porque sua dinda é, sem sombra de dúvida, a pessoa mais maravilhosa que eu conheço, a amiga mais verdadeira e a sua madrinha mais arteira. Acho que sobre isso eu não preciso falar para você...

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9 de outubro de 2008

O Amanhã

Não sei o que é esse tal de amanhã, filho, mas me preocupo ainda assim. Principalmente porque imagino que amanhã, o dia de amanhã, não vai ser fácil para mim e pode ser confuso para você.

Amanhã seu pai vem te ver, depois de quase um ano de uma visita rápida, frustrante e superficial para mim. E parece que tudo se dará da mesma maneira, mas espero estar errada, profundamente equivocada sobre isso, mesmo que as circunstâncias me induzam a pensar desta forma.

É claro que estou confusa. Sua mãe sem questionamentos não existe. Sem esperança, também. Sei que a família que construí com você não é perfeita, também sei que não sou a melhor mãe do mundo e, para ser sincera, não tenho pretensão nenhuma em ser. Minha única pretensão na tua vida é crescer junto contigo, da mesma forma que temos feito nesses 1 ano e 7 meses, aprendendo a cair e a levantar, de mãos de dadas.

3 de outubro de 2008

Besouros...

De manhã, bem cedinho, te pego no colo, canto e danço uma música em louvor à sexta-feira. Meio tango, meio-rock, meio forró, a gente balança e ri e cai direto na mesa de café da manhã. Eu tomo meu café com leite e bolachas, você seu café preto com pão, cúmplices.

Vou pegar minha sapatilha e encontro um besouro enorme, escaravelho, eu acho, não sei. Daqueles que tem chifre e fica roncando. Na hora capturo e levo até você, que fica com medo.

Mas você é corajoso, filho. Eu digo para você encostar e o teu dedo já está lá, chamando o bicho de peixe, correndo porque ele grudou na sua perna.



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