Um dia você vai aprender na escola que 11 de setembro é um dia muito importante na história, porque foi o dia que o país mais todo poderoso de todo o mundo percebeu que era vulnerável, assim como aqueles em que ele se intromete. E talvez você aprenda que dois aviões atingiram os prédios mais altos, que muitas pessoas morreram e que muitas outras morreram depois, porque uma guerra começou por causa deste dia.
Mas, na escola, você não vai descobrir que foi em um 11 de setembro, também, que eu escutei seu coração pela primeira vez.
E que senti múltiplas emoções, em um dos muitos piores dias que tive na minha vida.
Têm coisas, filho, que não fáceis de aceitar. Eu não aceitava minha gravidez, porque não era capaz de compreender o que era aquilo. Eu apenas suportava, porque havia muita gente empolgada com a sua vinda.
Eu não aceitava a displicência do seu pai, porque não era capaz de entender tamanho egoísmo. Hoje eu entendo que ele ainda é uma criança, dessas bem bobinhas com quem você vai brigar na escola por causa da bola, porque ele era o dono dela e não quis compartilhar com você.
E tem coisas que eu não compreendo nem aceito até hoje. E pode ser que seja assim até o fim. Sua mãe nunca foi feita de certezas, isso você precisa saber desde já, talvez até tenha percebido sem eu contar – não duvido disso...
Mas, se eu imaginasse que você seria meu raio de sol, talvez eu não tivesse relutado tanto em te aceitar. Se eu tivesse imaginado o seu rostinho exatamente como ele é, talvez eu não fosse tão feliz como sou quando o cheiro de manhã... Talvez isso, talvez aquilo, infinitamente....
Hoje é 11 de setembro, mais uma vez. Acordei sem meu brinco, porque você tirou durante a noite. Assistimos ao Motoqueiros Selvagens pela milésima quinta vez ontem à noite, mas pelo seu sorriso adiantando os tombos do Dudley, assisto mais mil vezes.
Acordei e encostei minha cabeça no seu peito. Ouvi seu coração, sem desespero, sem medo.