29 de setembro de 2008

De Dindinha...

Um ano e um dia depois da certeza do Marco Antônio em nossas vidas.
Um ano e um dia depois de uma das maiores alegrias que já tive. Obrigada por me dar a chance de ser a madrinha mais babona do mundo, Graci. É por isso e tanto mais que te amo desse jeito. E sinto toda essa saudade.

Dindinha, em carta que a mamãe não leu ontem para você, porque você já estava "dumino".

23 de setembro de 2008

Uma manhã de sol.
Um cabelo amarelo, quase branco.
Uma expressão amena.
Dois olhos que dizem mais que um vasto vocabulário que você ainda não adquiriu.

Você é assim, amor na sua forma mais misteriosamente vibrante...

11 de setembro de 2008

11 de setembro

Um dia você vai aprender na escola que 11 de setembro é um dia muito importante na história, porque foi o dia que o país mais todo poderoso de todo o mundo percebeu que era vulnerável, assim como aqueles em que ele se intromete. E talvez você aprenda que dois aviões atingiram os prédios mais altos, que muitas pessoas morreram e que muitas outras morreram depois, porque uma guerra começou por causa deste dia.
Mas, na escola, você não vai descobrir que foi em um 11 de setembro, também, que eu escutei seu coração pela primeira vez.

E que senti múltiplas emoções, em um dos muitos piores dias que tive na minha vida.

Têm coisas, filho, que não fáceis de aceitar. Eu não aceitava minha gravidez, porque não era capaz de compreender o que era aquilo. Eu apenas suportava, porque havia muita gente empolgada com a sua vinda.

Eu não aceitava a displicência do seu pai, porque não era capaz de entender tamanho egoísmo. Hoje eu entendo que ele ainda é uma criança, dessas bem bobinhas com quem você vai brigar na escola por causa da bola, porque ele era o dono dela e não quis compartilhar com você.

E tem coisas que eu não compreendo nem aceito até hoje. E pode ser que seja assim até o fim. Sua mãe nunca foi feita de certezas, isso você precisa saber desde já, talvez até tenha percebido sem eu contar – não duvido disso...

Mas, se eu imaginasse que você seria meu raio de sol, talvez eu não tivesse relutado tanto em te aceitar. Se eu tivesse imaginado o seu rostinho exatamente como ele é, talvez eu não fosse tão feliz como sou quando o cheiro de manhã... Talvez isso, talvez aquilo, infinitamente....

Hoje é 11 de setembro, mais uma vez. Acordei sem meu brinco, porque você tirou durante a noite. Assistimos ao Motoqueiros Selvagens pela milésima quinta vez ontem à noite, mas pelo seu sorriso adiantando os tombos do Dudley, assisto mais mil vezes.

Acordei e encostei minha cabeça no seu peito. Ouvi seu coração, sem desespero, sem medo.

5 de setembro de 2008

De mãos dadas

Mais um dia agitado, mais uma vez cansaço.
Que bom que você sempre encontra um jeito de me tirar do livro que estou devorando enquanto você brinca. O gato da capa não está desenhado nas páginas, filho.

Não consigo entender sua fascinação pelas páginas repletas de letras. Crianças normais gostam de desenhos, não de palavras. Imagino que você, que tem meus genes, também ache mais interessante compor os desenhos na cabeça, não vê-los prontos. Que bom que você não é normal. E que pena que criatividade não é meu ponto forte.

Queria poder inventar histórias para te contar, mas, confesso, essa é uma das minhas maiores limitações. Então, armazeno as histórias para um dia poder fazer uma releitura para você, ou me transformo e faço de As Horas Nuas um livro para uma criança de um ano e meio de idade. “Sim Antônio, o nome do gato é Rahul. Rahuuul... Você consegue falar, filho?”.

Essa palavra, filho, dita por mim, ainda me soa estranha. Lembro da primeira vez que a pronunciei, quando você tinha alguns dias. Assustei-me, depois ri. A vida é engraçada, não acha? Eu, tão egoísta nas minhas manias, abro meus livros e te chamo para compartilhar minhas leituras. De mim, isso eu não esperava.

Assim como não esperava que você, depois do convite da madrinha Dandy para entrar em casa, quase lá, voltasse e pedisse minha mão para ir contigo, para caminhar junto.

4 de setembro de 2008

Sol!


O dia de ontem foi agitado e ausente. Acredito que você, entre os nãos e mães que repete continuamente, tenha percebido e comentado com alguém, não comigo.
Entre as horas exaustivas que passei no trabalho, lembrei que poderia estar te ensinando alguma palavra nova, um jeito inovador de brincar com as bolinhas de gude ou uma careta como a do Mr. Ben, que você já realiza com tamanha autonomia, mas eu não estava lá, preparando seu mingau, nem sua janta, nem mesmo sua mamadeira (mas hoje comprei o iogurte que você adora).
Cheguei tarde, mas quando te levei para nossa cama, tentei te acordar para ouvir ao menos um resmungo, mas você, nesses mais de dois anos de convivência comigo, está aprendendo direitinho como se faz isso. Melhor que eu, diria.
Mas ainda assim, valeu o seu cheirinho gostoso do meu lado, sua respiração quentinha e o seu braço enlaçando meu pescoço, no dia que você pronunciou pela primeira vez a palavra sol.