Um dia você vai aprender na escola que 11 de setembro é um dia muito importante na história, porque foi o dia que o país mais todo poderoso de todo o mundo percebeu que era vulnerável, assim como aqueles em que ele se intromete. E talvez você aprenda que dois aviões atingiram os prédios mais altos, que muitas pessoas morreram e que muitas outras morreram depois, porque uma guerra começou por causa deste dia.
Mas, na escola, você não vai descobrir que foi em um 11 de setembro, também, que eu escutei seu coração pela primeira vez.
E que senti múltiplas emoções, em um dos muitos piores dias que tive na minha vida.
Têm coisas, filho, que não fáceis de aceitar. Eu não aceitava minha gravidez, porque não era capaz de compreender o que era aquilo. Eu apenas suportava, porque havia muita gente empolgada com a sua vinda.
Eu não aceitava a displicência do seu pai, porque não era capaz de entender tamanho egoísmo. Hoje eu entendo que ele ainda é uma criança, dessas bem bobinhas com quem você vai brigar na escola por causa da bola, porque ele era o dono dela e não quis compartilhar com você.
E tem coisas que eu não compreendo nem aceito até hoje. E pode ser que seja assim até o fim. Sua mãe nunca foi feita de certezas, isso você precisa saber desde já, talvez até tenha percebido sem eu contar – não duvido disso...
Mas, se eu imaginasse que você seria meu raio de sol, talvez eu não tivesse relutado tanto em te aceitar. Se eu tivesse imaginado o seu rostinho exatamente como ele é, talvez eu não fosse tão feliz como sou quando o cheiro de manhã... Talvez isso, talvez aquilo, infinitamente....
Hoje é 11 de setembro, mais uma vez. Acordei sem meu brinco, porque você tirou durante a noite. Assistimos ao Motoqueiros Selvagens pela milésima quinta vez ontem à noite, mas pelo seu sorriso adiantando os tombos do Dudley, assisto mais mil vezes.
Acordei e encostei minha cabeça no seu peito. Ouvi seu coração, sem desespero, sem medo.
15 horas atrás

3 comentários:
Graci, eu não sei se posso comentar o blog do nosso bebê, acho melhor que seja seu presente para ele, então apaga, depois.
Estou amando os seus textos. Mas esse... quase chorei...
Eu não me lembrava que era 11 de setembro... Quando vc for contar pra ele na vida real, não esquece de contar que eu tentei te animar, tá?
E que eu fiquei feliz desde o primeiro momento que soube dessa preciosidade. E que eu o amo muito, assim como te amo!
Saudade!
Graci!
Talvez não exatamente como a Paula, que partilhou tudo isso com vc, mas também fiquei muito emoionada com seus textos. O que mais me emocionou é que só nos aproximamos depois que vc ficou grávida. Lembro do dia que sentei no banco da faculdade, perto do xerox, antes da aula de letras, pra perguntar como vc tava. A barriga já estava enorme e nós duas mal nos conhecíamos. Tenho certeza que o Marco Antônio fez muito bem pra vc e pra todos os que te rodeiam. Continue postanto os textos... eles são lindos! Não esqueça de fazer cópias pro filhote. Com certeza, ele vai se emocionar muito mais que a gente.
Me impressiono, a cada dia, com as suas batalhas e força de vontade. E, claro, esse carinho de mãe que vc tem de sobra.
bjO gde!
Graci!
"Lindo" é pouco. "Lindo de doer"... Quem sabe. é lindo ver sua coragem (não só em todas as suas vitórias com o seu bebê), mas a coragem de contar a verdade, que sim, vc não quis, que vc não imaginava passando por aquilo... E a coragem de declarar seu amor, da forma mais sublime (eu acredito que a escrita é a forma mais sublime... Mas há quem não ache). Um dia vc me encontrou e falou q ele era o seu raio de sol. E o motivo pelo qual vc se levantava todas as manhãs. E a força para viver, que antes vc não tinha. Queria ter um porcento da sua força, garota. Ebora não sejamos tão próximas, pode acreditar que te admiro muito. E estarei aqui, intrometendo-me e lendo seus textos. Beijos, fiquem bem, vc e o Tonico.
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