30 de janeiro de 2012

Panetone

Janeiro já está no final. Passou rápido.
Tão rápido como acabam os panetones que compro, disputados pelos maiores comedores de panetone do mundo: você e Sid.
Que surpresa, então, receber a notícia, logo de manhã, que dentro de uma lata havia um panetone esquecido!
Abri a lata, cortei o primeiro pedaço e você dava pulinhos em volta. Sentou no sofá e virou a fatia de lado a lado, comendo as frutinhas primeiro, não esquecendo de nenhuma. Fez isso com a primeira, a segunda, a terceira fatia.
Está na quinta agora.

Morto de fome.

1 de junho de 2011

Obviedades

Na sala, deitada no sofá, falo ao msn.
Na mesma sala, deitado no chão, você desenha.

Converso coisas cotidianas com o Sid.
Você pergunta as mesmas coisas cotidianas:

"Mãe, vou fazer dois olhos em você.
Teu vestido vou fazer azul. Não, rosa. Rosa é que é de menina.
Você dá a mão pra mim no desenho?".

Dou. Dou, sim.

2 de maio de 2011

Bilíngue

Na sala, a festa e o papo rolam soltos:
-Totonho, você fala inglês?
-Sim (e encosta na porta, com pose de quem sabe de tudo):in-glês!

22 de fevereiro de 2011

Quatro!

Lembro como se fosse hoje da primeira contração, das dores, do seu olhar aguado no meu colo pela primeira vez. Nem preciso fechar os olhos para voltar no tempo, deitar naquela cama e passar a primeira noite da minha vida em claro, observando imóvel sua respiração.
Passo mais uns dias e me pego ao lado da sua caminha, chorando ao vê-lo dormir, ciente da imensidão do amor que nascera em mim. Mais um mês e, enquanto mexo o sagu, tenho seu primeiro sorriso. Depois veio a primeira dor, alguns sustos, mais sorrisos e uma infinidade de descobertas diárias. Chegou cor na minha vida preta e branca.
Você é exatamente isso: a caixa de lápis no meu caderno em branco, aquele arco-íris branquelo na minha vida cinza. E por isso compartilho, infinitamente feliz, a sua felicidade por seu aniversário, não só por você. Afinal, hoje também completo quatro anos, assim, meio com cara de seis.

20 de janeiro de 2011

Aperto

Criaturinha, só eu sei a falta que cada uma de suas malandragens me faz.
Volta, que tô doida pra juntar um sem-fim de carrinhos, abrir meio mundo de danoninhos e dar um dia inteiro de pitos.

Sim, sua mãe é "meio maluca".Com você.

Por você.

16 de janeiro de 2011

Adeus, pequeno Kurt



Sempre tive medo de perder o que tenho e isso não mudou.
Quando tive você em meus braços, me apavorou a ideia de não tê-lo mais.
Quis que você fosse eternamente criança, um bebê, para que não esquecesse da sensação de ser seu tudo. É, não foi algo muito inteligente, admito.

Mas acontece que você foi crescendo e deixando pra trás o bebê.
Andou e senti saudades do tempo que só ficava no colo.
Deixou de mamar e fiquei com a lembrança do seu olhar no meu peito.
Começou a pensar e se expressar melhor e eu, maravilhada, ainda conseguia te ver só um bebê.

Foi por isso que lamentei cada uma das mechas brancas que caíram.
Sinto saudade do cabelinho comprido, de passar a mão pelos fios, de acordar fungando aquela cabeleira.

Decisão sua, eu sei, meu ex-pequeno Kurt.

29 de outubro de 2010

Arauto

Brigamos.
Você sujou o "Coelho", eu lavei. Mais: torci.
Feio e molhado, bom, ele já não servia tanto, mas não era o motivo para a birra ser daquele tamanho.
Não falo mais com você, nem você comigo. Que fique claro.

Minutos depois, espio a criatura sentada no chão da cozinha.
Um besourinho se contorce. Imagino que não dura mais que dez segundos.
Você o olha, coloca o dedo, sente que estou contigo e me olha, superando o rancor:

-Mãe... Tadinha dela. Não consegue levantar.

Sentamos, os dois, no mesmo chão.
Tadinha dela, pobre de mim por imaginar algo diferente vindo de você.